quarta-feira, 21 de abril de 2010

amor invisível

Nesse broto de paixão
que há em você
idealizo assim
as ilusões
que cabem à mim!
Você entra no meu pensamento
e se acomoda em cada neurônio
fico cheia de pedacinhos de você
muitas vezes causando tormento
e num piscar de olhos você não está mais lá
mas quando reaparece... tudo volta a rodar!


Me irrita te querer
Te olhar e me prender
Não te tocar,
Não me deixar
Em ti apenas
me perder!

in my dreams...



Já perdi as contas das vezes em que me apaixonei. E é interessante perceber como todos aqueles sintomas, que sentimos quando estamos apaixonados, permanecem... o que muda, na verdade, é o objeto do nosso desejo... Se assim não fosse, não nos apaixonaríamos tanto, e por tantas pessoas diferentes...

Claro que de início, como uma mulher que quer viver “sob controle”, tentei relutar. ‘Ah! Não’, dizia eu, ‘paixões são maléficas, agonizantes e nos trazem uma tortura diária. Nos fazem perder o apetite, olhar no espelho mais de 500 vezes além do que já olhávamos antes. Nos fazem sorrir descontroladamente, nos fazem chorar amarguradamente...’

Penso, e de fato ainda não descobri onde ela começa. Em que ponto específico posso dizer: estou apaixonada! E o que acontece depois? Essa é a nossa maior angústia! Posso confessar-lhes que tenho uma teoria. Não de quando (re)começa esse turbilhão, mas em como o mesmo se propaga vertiginosamente como uma chama voraz e sedenta!

Este estado de plena “atenção”, eu diria, em que nossos sentidos estão mais alertas, despertos, ativos, funciona como uma droga mesmo (Já li diversos artigos). Mas há algo além dessa inquietude. Algo que me revela o que ele provoca em mim... que me desvela completamente!...

Naturalmente que “apressar” essa chama ardente a realizar seu trabalho é o primeiro impulso que temos. Queremos nos jogar com tudo na paixão. Nosso corpo todo arde só de olhar pra “ele”. Queremos mais é beijá-lo, passionalmente, excitantemente, urgentemente...

Queremos esse fogo inflando nosso ser, permeando sobre o outro com vigor e sem piedade. O desejo é tanto que queremos fundi-lo em nós, e nos perdermos “nele”. Permanecer nesse estado, dizem, pode ser até prejudicial devido à intensa quantidade de adrenalina circulando em nosso corpo.

Acredito que em algum momento essa paixão pode chegar a ser “controlada”. Admito nunca ter chegado a este ponto. Talvez por isso tenha me queimado tanto!... O fato é que nesse momento começo a sentir novamente esse pulsar... os velhos-conhecidos sintomas! E é igual, foi assim com todos os outros...

O que difere agora, no entanto, sou eu! Eu quero essa chama, permitir que ela me “mature”, me “cozinhe”, me “apure”. É verdade que não sei por quanto tempo vou aguentar o calor... nem sei se um dia tudo isso irá se concretizar enquanto relação. Porque existir já existe. Já beijei a sua boca delicadamente, suavemente, apaixonadamente, urgentemente, desesperadamente, agressivamente... percorri cada pedacinho do seu corpo, já toquei o seu cabelo, o seu rosto, e suas partes mais íntimas.

Não quero dizer que pretendo viver de fantasias... apenas quero continuar me deleitando nos breves toques e esbarrões que nos damos “sem querer”. Quero continuar sentindo faíscas percorrerem o meu corpo tão somente por termos encostado nossos braços... ah! Cada vez que o toco... sinto uma energia pulsante, viva.

Não tenho nem ideia de haver alguma reciprocidade. Às vezes acho que sim, às vezes acho que não. O que realmente me importa agora é essa ebulição, esse fervor. Não quero pular etapas, nem correr em direção à esta paixão porque não aguento mais a tortura do só “olhar”, sem “tocar”. Quero vê-lo rodopiando despido em meus sonhos. Não tenho pressa. Quero colocar essa chama para arder em banho-maria, para que ela possa “curtir”, me “curtir”, me “apurar”... até que eu esteja exalando meu aroma e meu sabor de mulher!


(Only when I sleep - The Coors)

You're only just a dreamboat
Sailing in my head
You swim my secret oceans
Of coral blue and red
Your smell is incense burning
Your touch is silken yet
It reaches through my skin
And moving from within
It clutches at my breast

But it's only when I sleep
I See you in my dreams
Got me spinning round and round
Turning upside-down
But I only hear you breathe

Somewhere in my sleep
Got me spinning round and round
Turning upside-down
But its only when I sleep...
“Ele entrou, como sempre o fazia... nada demais! Mas dentro dela já existia uma pequeníssima fagulha que nem ela mesma se dava conta. Até que ele se aproximou, pra explicar alguma coisa, falar sobre o assunto em comum... E naquele instante algo aconteceu: ela pôde sentir o seu calor! A pele dele por debaixo daquela camisa emitia uma temperatura diferente da dela, ou será que já eram os sintomas? Não sabia ao certo. Só sabia que enquanto ele falava não conseguia tirar os olhos da sua boca... Ele não fazia a mínima ideia do que se passava pela cabeça dela! Mas o seu pensamento estava longe e ao mesmo tempo perto, muito perto dele, tão perto que ela podia sentir a textura do seus lábios...”


Basta fechar os olhos para senti-lo
Inteiro em mim
Em cada movimento meu
Na minha respiração, no meu pulsar
Eu o inspiro, exalo
e respiro!

teu gosto no meu...













...E quando meus lábios encostarem nos teus
Teu gosto encontrará meu sabor
Nossos sais se misturarão
Das salivas extrair-se-á o deleite
E dessa alquimia, nem a física
Nem a química, poderão explicar
Tamanha sinestesia